quarta-feira, novembro 14


Já faz muito tempo que eu bati essa foto.
Naquele dia eu fui entregar uma doação de roupas e mantimentos numa comunidade carente da minha cidade natal.
Naquele dia eu me dei conta de como a pobreza é feia.
Mas não é só feia. Do lado dela se revela a beleza da simplicidade.

Naquele lugar o "não" é muito comum.
Mãe, tem comida? Não.
A resposta não é "só se você passar de ano ou tirar 10". É simplesmente não.

O bebê é o caçula de não sei quantos agregados. Pouca saúde e muitos dias para viver.
Hoje, ao ver essa foto, me perguntei o que se passou com essa criança.
Será que ainda tem o pulmão frágil ou a fome ofuscou esse "detalhe"?
Será que brinca na rua com os irmãos?
Estuda? É obediente? Quanto será que ele calça?
E o que ele quer ser quando crescer?
Será que gosta de música? Ou de ler?
Será que ele sabe ler?

Essas e outras perguntas surgiram de repente, num turbilhão de possibilidades mentais.
Não sei mesmo o que se passou.
Só sei que eu, com vinte vezes mais dias de vida que esse pequeno bebê, aprendi com aquela criaturinha que não se pode desistir.
Tudo tem um porquê.
A hora e o lugar certo.
O dele talvez seja na rua, na escola ou nos braços da mãe.
O meu é aqui.

Ele está perto da pobreza.
E eu aqui, longe da simplicidade...

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